As principais empresas de tecnologia do mundo criticaram o plano do governo britânico de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, afirmando que a medida pode empurrar adolescentes para plataformas “menos seguras”. O governo do primeiro-ministro Keir Starmer quer colocar em vigor as novas restrições até a próxima primavera no Reino Unido.Continua após a publicidadeMeta, YouTube e Snapchat contestaram o anúncio feito por Starmer nesta segunda-feira (15), que impediria adolescentes mais jovens de usar seus serviços.A Meta, dona de Facebook e Instagram, disse, por meio de um porta-voz: “Como vimos na Austrália, proibições correm o risco de isolar adolescentes de comunidades e informações online, e de empurrá-los para alternativas não regulamentadas que não têm proteções integradas nem controles parentais.”O YouTube (controlado pelo Google) afirmou, em nota: “Proibições generalizadas afastam crianças de experiências curadas, supervisionadas e benéficas e as empurram para serviços anônimos, menos seguros.”Já o Snapchat disse: “Como a maior parte do tempo gasto no Snapchat é em mensagens privadas entre amigos e familiares, uma proibição total que desconecte adolescentes dessas relações não os torna mais seguros — ela pode simplesmente empurrá-los para plataformas menos seguras.”Banimento de redes sociais de menores de 16 anos no Reino Unido causa furor
Starmer anunciou a medida em entrevista coletiva, apesar de anteriormente ter demonstrado ceticismo em relação à ideia;
Segundo o The Guardian, aliados afirmam que, se ele deixar o cargo de primeiro-ministro nas próximas semanas, a decisão fará parte de seu legado político;
Ao defender a proposta, o premiê disse: “As redes sociais estão deixando as crianças infelizes, estão facilitando que agressores as assediem e abusem delas, e podem até estar prejudicando sua saúde mental”;
Ele também rejeitou a ideia de que a decisão seja contrária ao setor de tecnologia. “Não aceito, e jamais aceitarei, que não se possa ser pró-tecnologia e IA e, ao mesmo tempo, dizer que precisamos proteger nossas crianças”, afirmou.
O plano, que vai além do adotado no início deste ano pela Austrália, prevê a proibição das principais plataformas de redes sociais, além de restrições separadas para produtos online, como aplicativos de jogos, incluindo a remoção da opção de conversar com desconhecidos.
Menores de 16 anos ficarão impedidos de baixar Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X, além de fazer transmissões ao vivo. Já menores de 18 anos serão impedidos de usar chatbots românticos desenvolvidos para simular relações sexuais.Leia mais:“Não é algo que eu faça de ânimo leve, e não vou apresentá-lo como algo sem custo, como se as redes sociais não tivessem trazido nenhum benefício aos jovens, porque claramente isso é errado”, disse Starmer. “Mas governo é sempre sobre escolhas, e está claro para mim que uma proibição total é a escolha certa.”Ele afirmou ainda que as previsões de que muitos adolescentes contornariam a proibição, como ocorreu na Austrália, não eram o ponto central. “Nós não dizemos: ‘Ah, olha, um adolescente conseguiu uma bebida de algum jeito, então vamos deixar de proibir a venda de álcool para crianças’. Nós não fazemos isso, fazemos?”, disse.Continua após a publicidade“Eu simplesmente não aceito isso. Nossas leis são regras, mas também são uma expressão de nossos valores. Elas moldam o contrato social, e isso vai mudar as conversas que os pais têm e as expectativas das crianças ao longo do tempo”, prosseguiu.“Vai fazer uma enorme diferença. Vai tornar nossas crianças mais seguras. Vai tornar nossas crianças mais felizes. Vai lhes dar mais tempo, mais segurança, liberdade total para crescer, mais oportunidades e, no fim das contas, é disso que este governo trata”, pontuou.
Primeiro-ministro defendeu a medida para uma plateia de pais que apoiam a decisão – Imagem: Simon DawsonContrasteA decisão foi bem recebida por militantes da campanha, muitos deles pais enlutados que dizem que as redes sociais tiveram relação com a morte de seus filhos. Esther Ghey, mãe da adolescente assassinada Brianna Ghey, disse estar feliz com a proibição e afirmou que ela poderia “potencialmente salvar a vida de muitas crianças”.Continua após a publicidadeStarmer fez o anúncio diante de uma plateia que incluía vários defensores da proibição, entre eles pais que perderam filhos, a quem agradeceu. “Não estou disposto a comprometer a segurança e a felicidade de nossas crianças, e é por isso que esta proibição precisa acontecer, e é por isso que esta proibição vai acontecer”, afirmou.“Sim, é difícil — difícil de legislar, difícil de regular, difícil de fazer cumprir. Foi por isso que buscamos uma ampla gama de opiniões sobre isso. Foi por isso que ouvimos as pessoas, tivemos uma conversa, analisamos cuidadosamente as evidências, aprendemos com países, como a Austrália, que estão tomando medidas semelhantes.”Segundo o governo britânico, nove em cada dez pais apoiaram a idade mínima de 16 anos para acesso aos aplicativos nas respostas enviadas à consulta “crescendo no mundo online”.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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