Instituição também aponta que a tecnologia pode ter um papel positivo na redução de vulnerabilidades ainda na fase de desenvolvimento de sistemas
Segundo análise do Fundo, modelos avançados de IA têm potencial para reduzir drasticamente o tempo e o custo necessários para identificar e explorar vulnerabilidades digitais – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, em relatório publicado nesta quinta-feira (7), que o avanço da inteligência artificial (IA) pode ampliar significativamente os riscos cibernéticos ao sistema financeiro e, em cenários extremos, desencadear tensões de financiamento, elevar preocupações com solvência e afetar mercados de forma mais ampla.Continua após a publicidadeSegundo a análise do Fundo, modelos avançados de IA têm potencial para reduzir drasticamente o tempo e o custo necessários para identificar e explorar vulnerabilidades digitais. Com isso, cresce a probabilidade de que falhas em sistemas amplamente utilizados sejam descobertas e direcionadas por agentes maliciosos.O que diz o relatório do FMI sobre IA
O relatório afirma, contudo, que ainda existem alguns fatores mitigadores;
Entre eles, o FMI destaca que as capacidades cibernéticas mais avançadas de IA ainda não estão amplamente disponíveis e que softwares financeiros fechados, utilizados pela indústria, são mais difíceis de serem atacados do que infraestruturas de código aberto;
Apesar disso, o organismo avalia que essas barreiras tendem a perder força rapidamente conforme o treinamento dos modelos de IA se expande, as capacidades tecnológicas se disseminam e vazamentos de sistemas acontecem. “O confinamento temporário é improvável de substituir defesas duráveis”, alerta o FMI no documento;
O Fundo também aponta que a IA pode ter um papel positivo na redução de vulnerabilidades ainda na fase de desenvolvimento de sistemas, evitando que falhas precisem ser corrigidas apenas após o lançamento das plataformas.
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Relatório da instituição afirma, contudo, que ainda existem alguns fatores mitigadores – Imagem: Iljanaresvara Studio/ShutterstockDe acordo com o relatório, no caso de infraestruturas financeiras amplamente utilizadas, esses ganhos podem diminuir de forma significativa a exposição sistêmica, desde que as instituições invistam em integração tecnológica, governança e supervisão humana. O FMI ressalta que essas áreas precisarão ser avaliadas cada vez mais pelos órgãos supervisores.O documento defende ainda uma coordenação internacional mais forte para enfrentar as ameaças cibernéticas, além de maior compartilhamento de informações e ampliação do desenvolvimento de capacidades para preservar a estabilidade financeira global.
O relatório chama atenção para o fato de que economias emergentes e em desenvolvimento podem estar mais expostas aos riscos. Segundo o Fundo, esses países frequentemente enfrentam restrições de recursos mais severas e podem se tornar alvos preferenciais de atacantes que buscam regiões com defesas digitais mais frágeis.“À medida que a IA remodela o cenário cibernético, a questão central para as autoridades é se o sistema financeiro pode continuar a funcionar sob estresse severo”, acrescenta o FMI.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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